Arquivo desclassificado · 25 de maio de 2026

Fumaça Azul Sobre Thessalon

Na manhã de 27 de julho de 1952, o Dr. R. E. McIndoo, de Kokomo, Indiana, pescava no Lago Thessalon, em Ontário, Canadá. Por volta das dez horas, uma formação de bombardeiros cruzou o céu acima dele, dezesseis a vinte aeronaves em dois grupos, voando para o sul. [[doc-65-hs1-8342

I. O Homem no Lago

Na manhã de 27 de julho de 1952, o Dr. R. E. McIndoo, de Kokomo, Indiana, pescava no Lago Thessalon, em Ontário, Canadá. Por volta das dez horas, uma formação de bombardeiros cruzou o céu acima dele, dezesseis a vinte aeronaves em dois grupos, voando para o sul. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p192#c0159

Em seguida, a formação soltou algo.

Os avioes sobrevoaram o lago e subitamente soltaram objetos, inicialmente pensados serem paraquedas. Esses objetos cairam em linha reta brevemente, depois expeliu vapor e voou para o sudoeste em alta velocidade. Os avioes tinham rastros duplos de fumaca azulada; os objetos lancados tinham rastro simples de fumaca azulada. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p192#c0159

McIndoo registrou seu relato três dias depois. O detalhe que distingue este caso de uma simples identificação equivocada é a fumaça: os bombardeiros deixavam rastros duplos de vapor azulado, mas os objetos lançados deixavam apenas um rastro simples. O que caiu sobre o lago tinha uma assinatura diferente da aeronave que o carregou. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p194#c0162

A notação final do bureau sobre o caso foi breve: "NENHUMA INVESTIGAÇÃO ADICIONAL ESTÁ SENDO CONTEMPLADA." doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p261#c0262

II. Os Dois Por Cento

O relato de McIndoo chegou em um período em que a Força Aérea, em privado, considerava estar diante de sua categoria mais perturbadora de avistamentos. O Comandante Boyd havia informado ao bureau sobre uma pequena fração de todos os relatos sobre discos, em torno de dois a três por cento do total, que permaneciam impossíveis de descartar.

O Comandante Boyd informou que a ultima classificacao constitui 2-3% dos avistamentos totais, mas sao os relatorios mais credıveis e difıceis de explicar. Alguns avistamentos sao relatados do solo, depois observados por pilotos no ar e captados por instrumentos de radar. Informou que os avistamentos da ultima classificacao nunca foram satisfatoriamente explicados pela Forca Aerea. A Forca Aerea tenta enviar cacas interceptadores a cada avistamento credıvel, mas o objeto invariavelmente desaparece quando o piloto se aproxima. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p198#c0168

Observadores em terra avistavam algo. Um piloto confirmava no ar. O radar rastreava o objeto. Então um caça se aproximava, e o objeto desaparecia. Boyd descreveu essa sequência como um padrão, não um evento isolado.

Uma avaliação interna no mesmo documento foi além. Concluiu que os avistamentos confiáveis vinham predominantemente de observadores militares treinados, e que as descrições permaneciam consistentes em diferentes locais geográficos e ao longo dos anos. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p085#c0441 Os objetos demonstravam velocidades acima dos máximos documentados e manobras que contradiziam os princípios aerodinâmicos conhecidos na época. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p085#c0442 Uma unidade investigativa permanente, com acesso a recursos técnicos classificados, era necessária, dizia a avaliação. A abordagem vigente de coletar relatos sem análise coordenada já havia se mostrado insuficiente. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p085#c0444

Se essa unidade foi criada, o arquivo não diz.

III. A Correspondência

Ao lado dos cabos classificados, o bureau recebeu naquele verão um tipo diferente de documento: cartas manuscritas de cidadãos comuns que acompanhavam a cobertura jornalística dos avistamentos e tinham chegado às suas próprias conclusões. O bureau as registrou e numerou. Elas preenchem uma parte substancial desta seção do arquivo.

Uma mulher que não se identificou estava convencida de que os discos eram um sistema de vigilância soviético, câmeras aéreas operadas por redes do Partido Comunista dentro dos Estados Unidos. Cada formação, escrevia ela, mapeava alvos para futuros bombardeios. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p206#c0182

A Sra. Fred T. Haufe apresentou uma teoria diferente, mas chegou à mesma inquietação.

Esses objetos estranos poderiam ser bombas de turfa controladas por Radar. Nao estou inclinada a ignorar isso levianamente. Acredito que e muito imprudente tornar publicas as localizacoes dos avistamentos, pois e exatamente o que nosso inimigo esta buscando. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p222#c0205

Dewey T. Wilson, de localização não especificada, adotou uma abordagem física. Propôs que os sinais de televisão e rádio induziam correntes elétricas em bolsões de vapor d'água, fazendo-os brilhar e se mover. A aparente evasão quando um interceptador se aproximava não era fuga, argumentava: o efeito eletromagnético simplesmente enfraquecia e desaparecia, dando a impressão de que algo havia superado o perseguidor. Seu teste sugerido era silenciar todas as transmissões de rádio e televisão durante o próximo avistamento e observar o resultado. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p251#c0247 doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p252#c0248

Uma correspondente que se identificou como Sra. Nellie T. Dull, Rota 3, Staunton, Virgínia, tinha uma queixa diferente. Enviara uma teoria à Inteligência da Força Aérea em 1º de agosto. Quatro dias depois, escreveu, um físico chamado Noel Scott publicou conclusões idênticas às dela. Ela enviou a mesma carta a três departamentos do governo simultaneamente.

Discos voadores feitos pelo homem possivelmente poderiam ser usados em conjunto com bombas atomicas e de hidrogenio ou para destroi-las. Astronomos poderiam usar as informacoes para prever sobre outros planetas ou guerra planetaria. [...] Meu pais vem primeiro se a informacao deve ser mantida em segredo. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p266#c0269

Nenhuma dessas cartas recebeu, segundo o arquivo, uma resposta substantiva.

IV. A Carta Alemã

O documento tecnicamente mais preciso do arquivo veio de um autor anônimo que enviou uma carta manuscrita em alemão ao Cincinnati Enquirer naquele verão. Um funcionário identificado como E. Doris encaminhou a carta ao escritório do bureau em Cincinnati com uma tradução livre anexada. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p224#c0209 O agente em Cincinnati as enviou a Washington.

O autor, assinando apenas "H.Sch.", alegava conhecimento de uma arma já em produção.

Desde 1944, arma testada que agora ja esta sendo produzida e que em pouco tempo vai fazer muito barulho e uma V-Arma de circa 42,50 m de diametro, com bocais automaticos que giram em torno de uma esfera de plexiglas com dispositivos de controle e direcao para controle remoto. Na esfera ha espaco suficiente para bombas atomicas altamente explosivas. Essas armas estao nas maos da Russia. Riedel, Alemanha, diz que e uma tipica V-7 na qual ele mesmo trabalhou. H.Sch. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p228#c0215

A versão traduzida no arquivo detalhava as especificações completas: 42,5 metros de diâmetro, quarenta e cinco a cinquenta bocais automáticos, uma esfera de plexiglas de orientação no centro, alcance efetivo de trinta a trinta e cinco mil quilômetros. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p231#c0219 H.Sch. citou um engenheiro alemão chamado Riedel, que teria trabalhado pessoalmente no programa V-7 e confirmado o projeto.

Se H.Sch. tinha acesso a informações reais do programa ou simplesmente passava adiante uma história, o arquivo não contém resposta. Nenhuma investigação sobre H.Sch. ou Riedel está registrada.

V. Oak Ridge e a Ordem de Silêncio

Em dezembro de 1952, pelo menos uma instalação nuclear americana havia entrado diretamente no quadro. Um cabo classificado no arquivo tratava da detecção de objetos não identificados sobre a área de Oak Ridge, no Tennessee, e de um incidente a nordeste de Oliver Springs.

DETECÇÃO DE OBJETOS NÃO IDENTIFICADOS SOBRE A ÁREA DE OAK RIDGE, PROTEÇÃO DE INSTALAÇÕES VITAIS. REURTEL QUATRO DE DEZEMBRO ÚLTIMO REFERENTE A POSSÍVEL INTERFERÊNCIA DE RADAR EM OAK RIDGE. PROVIDÊNCIAS DEVEM SER TOMADAS PARA OBTER TODOS OS FATOS RELACIONADOS À POSSÍVEL INTERFERÊNCIA DE RADAR POR IONIZAÇÃO DE PARTÍCULAS EM ATMOSFERA ATÔMICA. CONDUZIR INVESTIGAÇÃO ADEQUADA PARA DETERMINAR SE O INCIDENTE OCORRIDO A NORDESTE DE OLIVER SPRINGS, TENNESSEE, PODERIA TER TIDO QUALQUER CONEXÃO COM A ALEGADA INTERFERÊNCIA DE RADAR. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p093#c0491

O cabo instruía os investigadores a determinar se o incidente de Oliver Springs tinha qualquer conexão com a interferência de radar na própria instalação. A expressão usada era tecnicamente pontual: ionização de partículas em atmosfera atômica. Alguém em Oak Ridge havia proposto uma ligação entre os objetos no céu e o ambiente de radiação da instalação.

Um segundo cabo, também classificado, colocou os escritórios de campo do bureau em estado de alerta imediato.

ESTE ESCRITÓRIO FOI INFORMADO MUITO CONFIDENCIALMENTE SOBRE DISCOS VOADORES [...] O CIC INFORMA QUE OS DADOS SÃO ESTRITAMENTE CONFIDENCIAIS E NÃO DEVEM SER DIVULGADOS. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-6/p094#c0510

O Counter Intelligence Corps ordenou ao escritório de campo de Richmond que telefonasse imediatamente à Inteligência da Força Aérea sobre qualquer nova informação. Nenhuma outra agência deveria receber os dados. A Inteligência da Força Aérea local, observou o CIC, desconhecia o motivo do alerta. A ordem viera de algum lugar acima da cadeia de comando local, sem explicação transmitida para baixo.

O que estava no céu sobre Oak Ridge em dezembro de 1952, o arquivo não diz.