Seção Oita: O Registro que Ninguém Queria Manter
No outono de 1955, um senador dos Estados Unidos embarcou num trem noturno de Baku para Tiflis. Viajava pelo território soviético com uma pequena comitiva: um adido militar, um assessor e um empresário da Costa do Pacífico. O senador estava gripado e havia se retirado para um dos
I. O Trem de Baku
No outono de 1955, um senador dos Estados Unidos embarcou num trem noturno de Baku para Tiflis. Viajava pelo território soviético com uma pequena comitiva: um adido militar, um assessor e um empresário da Costa do Pacífico. O senador estava gripado e havia se retirado para um dos dois compartimentos, com as luzes apagadas, quando notou o que parecia ser um ponto amarelo na janela.
Olhou novamente. Estava do lado de fora. Uma bola amarelo-esverdeada, subindo depressa.
Quando desapareceu, foi ao outro compartimento contar para os demais. Enquanto ainda discutiam o que havia visto, um segundo objeto apareceu. Apagaram as luzes para assistir.
Ele notou o que parecia ser um ponto amarelo na janela. Olhando mais de perto, viu que estava do lado de fora e parecia ser uma bola amarela esverdeada que subia rapidamente. Depois que desapareceu, ele foi contar aos outros. Enquanto discutia com eles, um segundo objeto apareceu e todos o observaram. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p125#c0680
A CIA recebeu um memorando sobre o incidente. Os detalhes não estavam claros, registra o arquivo, e decidiu-se que o assunto deveria ser mantido em sigilo e todos os membros do grupo entrevistados separadamente. O que essas entrevistas produziram foi um registro que divergia em si mesmo de maneiras reveladoras.
O Senador Russell viu apenas a bola luminescente. Nunca distinguiu uma forma. Sua impressão foi que o objeto girava suavemente, "caindo para cima", subindo num ângulo íngreme mas não vertical. Não viu rastro de foguete, nem fumaça.
O Coronel Hathaway viu algo diferente: um objeto sombrio com uma única luz no topo e luzes rotativas na base que pareciam escapamentos. Estimou o tamanho comparável a um caça a jato norte-americano. Foi categórico ao afirmar que o objeto não se parecia com nenhuma aeronave, foguete ou míssil que já tivesse visto.
O Sr. Efron viu apenas duas luzes, lado a lado, como olhos.
Se a trajetória mudou de subida íngreme para voo horizontal foi em si um ponto de discordância. Hathaway e Efron disseram que o objeto alterou o curso de forma abrupta. Russell e Gros não notaram mudança alguma. Os quatro concordaram que o objeto girava durante a subida. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p121#c0655
II. A Sra. Swan e os Oficiais da Marinha
No verão de 1954, dois homens ligados à Marinha dos EUA viajaram para o Maine para visitar uma mulher chamada Sra. Swan. Um deles, referido no registro como HUTSON, relatou posteriormente aos investigadores o que ocorreu.
Sentaram em grupo. A Sra. Swan escreveu mensagens no papel. Explicou que as recebia de pessoas no espaço sideral, que usavam um dispositivo mecânico para ver e ouvir através dos seus olhos e ouvidos. Todas as conversas, disse ela, eram gravadas pelas pessoas no espaço sideral.
HUTSON declarou que, como exemplo de como as mensagens eram transmitidas, ele fez à Sra. SWAN uma pergunta que ela deveria transmitir às pessoas no "espaço sideral" e, antes que ela tivesse tempo de transmitir a pergunta, ela começou a escrever a resposta para sua pergunta no papel. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p012#c0112
O que se segue no registro é mais específico do que a maioria dos arquivos governamentais se aventura a ser. A Sra. Swan disse que vinha recebendo mensagens de duas naves espaciais, designadas M-4 e L-11. Cada uma media 150 milhas de largura, 200 milhas de comprimento e 100 milhas de profundidade. Cada uma transportava aproximadamente 5.000 naves-mãe próprias, com 150 a 200 pés de comprimento. O comandante da M-4 era uma entidade chamada "AFFA", do planeta Urano. O comandante da L-11 era "PONNAR", de um planeta chamado Hatann. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p013#c0118
Seu propósito, transmitiu a Sra. Swan, era impedir que a Terra se destruísse. A bomba atômica e a bomba de hidrogênio perturbavam o campo de força magnética que envolve o planeta. Se as linhas de falha se rompessem, a destruição alcançaria todo o universo.
Hutson disse aos investigadores que ele e seu colega Smith queriam provas. Perguntaram se poderiam contatar as pessoas do espaço diretamente pelo rádio. A Sra. Swan disse que sim, em qualquer frequência, desde que a informassem primeiro para que ela pudesse avisar as pessoas no espaço sideral. Smith disse que tentaria no domingo, 1º de agosto de 1954, usando alta frequência. Para facilitar o contato, a Sra. Swan aconselhou que a nave espacial se posicionaria a 160 km de Ottawa, no Canadá. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p013#c0119
Hutson foi cauteloso com os investigadores. Disse que não podia assumir nenhum compromisso quanto ao envolvimento da Marinha. Não sabia até onde a Marinha iria.
III. Testemunhas na Borda do Registro
Os arquivos continuavam chegando. O que fazer com eles nunca foi resolvido com clareza.
Em 1944, um homem chamado Wlayslaw Krasuski era prisioneiro de guerra alemão. Ele contou posteriormente aos investigadores que havia observado um veículo circular durante o cativeiro: 75 a 100 metros de diâmetro, com aproximadamente 4 metros de altura. Assistiu ao veículo subir verticalmente até ultrapassar um muro de 15 metros, depois se mover horizontalmente por uma curta distância antes de ser ocultado por árvores. Duas vezes, quando um chiado agudo chegava da área, o motor de um trator próximo parava. Krasuski chegou a Nova York como pessoa deslocada em 1951. Quando o Bureau o entrevistou em novembro de 1957, o arquivo registra que ele falou de forma racional, sem indício de instabilidade mental. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p209#c1352
Na noite de 9 de maio de 1954, os astrônomos amadores Peter Bartkus e Theodore McColm observavam a Lua com um telescópio refletor cassigraniano de 15 cm perto de Rockford, Illinois. Entre 22h35 e 23h15, Bartkus escreveu:
Observei o fenômeno mais incomum que já tive a experiência de testemunhar... Vimos um objeto esférico ascendendo da seção norte da área de Mare Humboldtianum. Não estava brilhando ou resplandecente, mas parecia mais com uma luz refletida opaca de um planeta. Estimamos seu tamanho em cerca do diâmetro das crateras Pitiscus ou Vlaco. No momento em que desapareceu às 23:15, ele havia percorrido mais do que os 29' 30" de arco em cerca de 40 minutos. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p038#c0344
Verificaram a possibilidade de difração atmosférica e erro de equipamento. O objeto, concluiu Bartkus, deve ter sido um corpo na superfície lunar ou muito próximo a ela.
O correspondente da INS Michael Chinigo, escrevendo de um local não especificado na Itália, observou algo estacionar no ar a aproximadamente 1.800 metros de altitude. O staccato de explosões à medida que se aproximava. O silêncio mortal quando parou acima.
De repente, disparou para cima e deixou um rastro de exaustão de fumaça branca leitosa... O Departamento de Defesa descreveu-o como um "cone cortado" com uma superfície menor na parte inferior, ou como dois discos semicirculares, um maior que o outro, com um maior no topo... A estação de radar em Roma que captou o "charuto" ou "cone" disse que ele registrou por 39 minutos. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p039#c0350
O que mais impressionou Chinigo foi a capacidade do objeto de simplesmente parar e aguardar.
Em 6 de abril de 1956, por volta das 5h, a Srta. Richards e o Sr. Morris dirigiam para o norte pela Rota 1 perto de Henderson, Carolina do Norte, quando um objeto oval veio em direção a eles de frente pelo lado do motorista, voando baixo e em alta velocidade. Richards estimou que estava a menos de 8 metros do solo. Parecia girar, exibia um padrão de luzes em ziguezague, era de cor azul claro, tinha pelo menos a largura da rodovia e não mais de 60 a 120 centímetros de espessura. Não fez barulho. Passou sobre o carro, acelerou e desapareceu. O avistamento durou apenas segundos. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p134#c0780
Na noite de 6 de novembro de 1957, os policiais estaduais de Illinois Calvin Showers e John Matulis seguiram uma luz branca brilhante a partir de Danville, em direção sudoeste, por 30 km de carro, antes de perdê-la. Durante a perseguição, a cor oscilou entre branco, âmbar e laranja. Por alguns segundos, algo perturbou tanto o receptor quanto o transmissor do rádio bidirecional FM deles. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p201#c1279
O Bureau registrou cada relato. O que concluiu deles, nesta seção do arquivo, não está declarado.
IV. Wright-Patterson Nega Tudo
Em junho de 1954, um homem chamado Eickhoff foi de carro até Fairborn, Ohio, num domingo, e bateu na porta da casa do Tenente-Coronel John O'Mara, da Base Aérea de Wright-Patterson. Queria uma resposta direta.
Eickhoff havia lido muito: Flying Saucers From Outer Space, de Donald Keho, Flying Saucers Have Landed, de George Adamski. Havia ouvido Walter Winchell e Fulton Lewis Jr. no rádio, comentaristas que considerava confiáveis, relatando que pessoas credíveis afirmavam ter visto discos voadores. A Força Aérea negava tudo. Queria saber de que lado estava a mentira. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p006#c0059
O'Mara disse que não existia tal coisa como um disco voador. Disse que Keho era uma fraude e que Washington tinha a documentação para provar. Não podia, no entanto, tomar nenhuma medida contra Truman Bethurum ou George Hunt Williamson, dois personagens do mundo dos contatados cuja turnê de palestras Eickhoff vinha investigando. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p007#c0064
A posição de Eickhoff era direta: se a história de Bethurum fosse verdadeira, o público merecia saber. Se fosse falsa, Bethurum deveria ser processado por fraude. O'Mara não lhe deu nenhum dos dois resultados.
O mesmo Coronel O'Mara aparece no arquivo alguns meses depois. Um homem de Cincinnati chamado Leonard Stringfield publicava um boletim informativo sobre OVNIs e ligava regularmente para Wright-Patterson. Uma fonte informou aos investigadores que Stringfield acreditava que seu telefone residencial estava sendo monitorado pela Força Aérea, então fazia essas ligações do escritório na DuBois Company, na West Front Street.
STRINGFIELD, ao falar sobre a possibilidade de a Força Aérea dos EUA interromper suas operações, fez uma declaração no sentido de: "A Força Aérea não pode fazer nada comigo. Estou afirmando que os discos voadores são interplanetários." doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p046#c0398
O boletim de outubro de 1954 de Stringfield havia relatado sua conversa com O'Mara. Depois dessa publicação, disse a fonte, o comentarista de rádio Frank Edwards avisou Stringfield diretamente. Stringfield recuou. Continuou publicando, mas agora tinha medo de ir longe demais.
V. A Nova Escritura
Nem todos que enviavam cartas ao Bureau pediam algo ao governo. Alguns escreviam para informá-lo de uma estrutura interpretativa na qual já haviam se decidido.
Um documento no arquivo apresenta uma releitura das escrituras como registro de encontros com naves espaciais. O tom é paciente. A escada de Jacó é uma passarela baixada de uma nave-mãe. A coluna de nuvem e a coluna de fogo que conduziram Israel pelo deserto são uma única nave, o fogo invisível contra o céu diurno. O Monte Sinai, onde Moisés recebeu a lei, era uma base de operações.
Salmos 68:17 afirma que Deus viveu no Monte Sinai por um tempo com 20.000 carros. Grandes "nuvens" se estabeleceram no Monte Sinai com "fogo" e "fumaça" por quarenta dias. Moisés recebeu as tábuas da lei nessa montanha através da intervenção de homens do espaço, como Paulo nos diz. O Sinai parece ter sido o quartel-general de Deus para uma certa manobra nesse momento. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p163#c1004
A ascensão de Jesus, continua o documento, foi uma nave espacial levando-o a bordo: "uma nuvem o recebeu fora de sua vista." Seu retorno seria da mesma forma, comandando uma frota, com armas de energia projetadas de suas bocas. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p164#c1009
Um fio separado no arquivo envolve um Dr. Charles Laughead, que relatou que uma mulher chamada Dorothy Martin, de Oak Park, Illinois, recebia mensagens por percepção extrassensorial de outros planetas, entregues principalmente a clubes de discos voadores. Um dia Martin pegou um lápis e ele começou a escrever sem que ela o dirigisse. As transcrições se acumulavam desde abril de 1954. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p059#c0469
O Bureau coletou tudo isso ao lado dos relatórios de avistamento e dos resumos de entrevistas. Um editor de boletim informativo descreveu a escala da correspondência em meados de 1954: mais de 8.000 cartas haviam cruzado sua mesa desde abril. Sua esposa cuidava das assinaturas. Ele dirigia a pesquisa. Nenhum dos dois podia prometer uma resposta. doc-65-hs1-834228961-62-hq-83894-section-8/p034#c0302
O que quer que estivesse acima do Cáucaso em 1955, ou ascendendo de Mare Humboldtianum em maio de 1954, ou cruzando a Rota 1 na Carolina do Norte às cinco da manhã, o governo nunca disse. As cartas continuaram chegando. Os arquivos permaneceram abertos.