Arquivo desclassificado · 25 de maio de 2026

Cobre no Ar: A Investigação das Bolas de Fogo Verdes, Novo México, 1949

Na noite de 30 de janeiro de 1949, uma bola de fogo verde cruzou o céu do Novo México. Equipes de busca percorreram o terreno em início de fevereiro, seguindo uma trajetória bem determinada. Não encontraram nada.

I. A Bola de Fogo Que Não Deixou Fragmentos

Na noite de 30 de janeiro de 1949, uma bola de fogo verde cruzou o céu do Novo México. Equipes de busca percorreram o terreno em início de fevereiro, seguindo uma trajetória bem determinada. Não encontraram nada.

in spite of air and ground searches in early February along the well determined earth-trace of the green fireball of 1949, January 30th no fragments of this fireball were recovered

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A ausência mudou a abordagem. Se o objeto havia sido completamente volatilizado durante o voo, restaria apenas poeira fina, depositando-se pela atmosfera ao longo de dias ou semanas. Os investigadores acreditavam que essa poeira seria rica em cobre, não o material ferromagnético que torna os meteoritos comuns fáceis de localizar com um ímã. Os métodos habituais de coleta de poeira cósmica usados por meteoriticistas não a detectariam. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p010#c0035

O Dr. William Crozier havia desenvolvido um coletor de poeira por impactação para o Projeto de Aerossóis da Escola de Minas do Novo México. Seu equipamento conduzia o ar por um jato que forçava as partículas contra uma placa revestida com adesivo, retendo cerca de noventa por cento das partículas aéreas maiores que um mícron. Quando o próximo bólido aparecesse, o equipamento estaria pronto.

II. Socorro, 24 de Julho de 1949

Seis meses após a bola de fogo de janeiro, um bólido passou sobre as proximidades de Socorro às 20h26 da noite de 24 de julho de 1949. A Escola de Minas tinha equipamentos de impactação disponíveis, e decidiu-se fazer coletas sistemáticas na esperança de obter material associável ao evento. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p005#c0017

A primeira coleta começou às 10h00 de 25 de julho, cerca de treze horas e meia após o bólido ter sido visto. O ar foi coletado a cerca de doze pés acima do solo no campus da Escola de Minas, processado a aproximadamente 34 litros por minuto, com as partículas separadas por impactação contra uma placa adesiva. A coleta durou três minutos e processou cerca de 102 litros de ar. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p006#c0019

As placas mostraram várias partículas grandes com testes positivos para cobre. Em pelo menos uma delas, a reação ao cobre foi observada antes do tratamento com amônia, indicando um composto de cobre solúvel, não cobre metálico. Os tamanhos chegaram a mais de cem mícrons. Não havia partículas pequenas, nenhuma com dimensão mínima abaixo de 15 mícrons. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p006#c0019

Os investigadores não conseguiam afirmar imediatamente se partículas de cobre eram simplesmente comuns no ar de Socorro. As coletas ali haviam sido breves, e a identificação de cobre nunca havia sido prioridade. A consulta ao arquivo revelou amostras de 14 de julho, dez dias antes do bólido, que também continham vestígios de cobre, com partículas concentradas na faixa de trinta mícrons. O cobre sozinho não fecharia o caso. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p006#c0021

III. Três Esferas de Cobalto

Às 14h00 de 26 de julho, quarenta e uma horas e meia após o bólido, os investigadores encontraram algo diferente.

três partículas bastante notáveis foram encontradas que deram fortes indicações de cobalto. As partículas eram aparentemente esferas perfeitas (pelo menos eram perfeitamente circulares em seção transversal), com doze mícrons de diâmetro. A reação com ácido rubêanico, após o tratamento com amônia, produziu um halo amarelo-ocre denso, de sessenta mícrons de diâmetro.

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A cor do halo não era exatamente a do cobalto puro. A aparência sugeria uma liga, predominantemente de cobalto mas com outro metal presente. O investigador registrou que tais partículas eram "bastante únicas" em sua experiência. Se fossem de origem meteórica, teriam descido de uma altura da ordem de vinte mil pés no tempo decorrido desde a passagem do bólido. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p008#c0027

As partículas menores encontradas 145,5 horas depois acrescentaram uma complicação. Uma coleta desse intervalo continha 140 partículas em uma corrida de cinco minutos, a maioria entre dois e cinco mícrons. Uma partícula de cinco mícrons não pode cair mais de dez mil pés nesse período apenas pela gravidade. Para que essas partículas tivessem vindo do bólido, algum movimento descendente do ar precisaria tê-las carregado parte do caminho. O registro não fornecia evidência disso. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p008#c0025

Os investigadores concluíram que associar de forma definitiva as partículas com cobre ao bólido seria arriscado demais. As esferas de cobalto eram mais difíceis de afastar. Havia ainda um resíduo de possibilidade, anotou o arquivo, particularmente porque as partículas do menor grupo de tamanho não haviam aparecido em grande número até cerca de trinta e cinco horas após a passagem do bólido. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p006#c0023

IV. A Estrada para Bingham e o B-25

O Dr. Crozier propôs uma explicação mais simples para as partículas de cobre coletadas na manhã de 25 de julho. Elas poderiam ter sido sopradas do telhado ou das calhas do Edifício de Ensaios no campus da Escola de Minas. Para descartar essa hipótese, sua equipe carregou um coletor de impactação movido a bateria em um carro do pessoal do OSI e dirigiu para o sul, por San Antonio, Carthage e Bingham, Novo México. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p011#c0036

Quatro amostras dessa viagem foram examinadas na noite de 26 de julho. Todas continham partículas de cobre indistinguíveis daquelas coletadas em Socorro aproximadamente ao mesmo tempo. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p011#c0036

A coleta ao nível do solo, porém, era lenta e incerta, separada por horas e altitude de qualquer material que o bólido pudesse ter deixado. O que a investigação precisava era de uma aeronave capaz de subir acima de 40.000 pés, lançada rapidamente após um evento futuro, voando um padrão calculado para cruzar o rastro de material. Uma determinação rápida da trajetória do bólido seria essencial, e os ventos em altitude precisariam ser incorporados ao plano de voo. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p009#c0030

Enquanto o relatório sobre 24 de julho ainda estava sendo concluído, um bólido apareceu novamente em 6 de agosto. Um B-25 foi equipado com coletores em Kirtland Field. Na tarde de 8 de agosto, voou um padrão projetado para interceptar material meteórico do evento de 6 de agosto. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p009#c0032

O que o B-25 encontrou, se é que encontrou algo, não consta nas partes do arquivo que chegaram até aqui.

V. O Registro de Avistamentos do 17º Distrito

Os experimentos de aerossóis eram um fio em uma operação mais ampla. Em uma reunião de ligação entre agências militares e governamentais de inteligência em dezembro de 1948, os participantes reconheceram que fenômenos aéreos inexplicados apareciam sobre o Novo México com frequência suficiente para exigir uma resposta coordenada. O 17º Distrito OSI, por sua posição e organização, era o mais adequado para coletar os dados. Assumiu a tarefa. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p020#c0051

Os relatórios de avistamentos foram enviados ao Comando de Material Aéreo nos termos dos Requisitos de Inteligência Aérea Nº 4, e a outras agências militares e governamentais interessadas. O 17º Distrito compilou tabelas resumidas contínuas de avistamentos de fenômenos aéreos desconhecidos, classificadas como Confidencial, ao longo de pelo menos vinte e nove páginas de documentação. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p032#c0063

Em 24 e 25 de fevereiro de 1950, o Cabo Lertis E. Stanfield, da Base Aérea Holloman, fotografou um fenômeno aéreo não identificado próximo a Datil, Novo México. A fotografia entrou no arquivo como Avistamento Nº 175. dow-uap-d017-general-correspondence-of-sandia/p061#c0092

O arquivo não diz o que o Cabo Stanfield fotografou. O que quer que tenha cruzado o ar sobre Datil naquele fevereiro, o Distrito o registrou, atribuiu um número e arquivou a imagem ao lado dos dados de aerossóis, das esferas de cobalto e dos relatórios de busca vazios da bola de fogo de janeiro. O registro permaneceu aberto.