Arquivo desclassificado · 25 de maio de 2026

Voo Rasante a 500 Nós: O Objeto do P-8A no Mediterrâneo Oriental, Novembro de 2016

Às 13h10 UTC do dia 18 de novembro de 2016, um P-8A Poseidon da Marinha americana patrulhava o Mediterrâneo Oriental com os sensores eletro-ópticos e infravermelhos voltados para um grupo-tarefa naval russo que operava cerca de 55 milhas náuticas a noroeste de Latakia, na Síria.


I. Contato em Baixa Altitude

Às 13h10 UTC do dia 18 de novembro de 2016, um P-8A Poseidon da Marinha americana patrulhava o Mediterrâneo Oriental com os sensores eletro-ópticos e infravermelhos voltados para um grupo-tarefa naval russo que operava cerca de 55 milhas náuticas a noroeste de Latakia, na Síria. A missão do P-8A era de vigilância. O que seus sensores captaram a seguir entrou no relatório como não identificado.

O contato surgiu em baixa altitude, de origem desconhecida, rumo ao sudeste a aproximadamente 500 nós, se afastando do grupo-tarefa. O BLUF do relatório tornou oficial a incerteza já na primeira linha:

"Enquanto monitorava a atividade do KCTG no Mediterrâneo Oriental, o P-8A observou um objeto não identificado de baixa altitude a 55 mn a noroeste de Latakia, proveniente de origem desconhecida, deslocando-se a aproximadamente 500 KTS em direção ao sudeste, se afastando do KCTG, por ~2 minutos." dow-uap-d55-mission-report-syria-november-2016/p001#c0005

Quinhentos nós é rápido para algo voando baixo sobre águas abertas. Não é rápido para um míssil.

II. Dois Minutos, Dois Pontos

A linha do tempo no relatório é enxuta. Às 1310Z, o sensor EO/IR do P-8 captou um possível lançamento de míssil próximo ao grupo-tarefa, de origem desconhecida. A aeronave estava 26 milhas náuticas ao sul do ponto de detecção. O objeto parecia estar em voo rasante, perfil de voo em baixa altitude que mantém uma arma abaixo da cobertura de radar.

"(1) (S//NF) 18/1310Z: O P-8 observou um possível lançamento de míssil nas imediações de [1.4a] a partir de origem desconhecida, detectado pelo sensor EO/IR. O possível míssil parecia estar em modo de voo rasante (sea skim) deslocando-se a aproximadamente 500 KTS em direção ao sudeste, se afastando do KCTG. A posição do P-8 era 26 MN ao sul da detecção do objeto às 1612Z [1.4a]." dow-uap-d55-mission-report-syria-november-2016/p001#c0007

Às 1312Z, dois minutos após a primeira detecção, o P-8 perdeu o contato. O objeto estava então a aproximadamente 40 milhas náuticas a noroeste de Latakia. O diagrama de trajetória no arquivo registra os dois pontos: a detecção inicial próxima ao grupo-tarefa e o ponto de perda de contato mais adiante no eixo sudeste, com a posição do próprio P-8 demarcada ao longo do trajeto. dow-uap-d55-mission-report-syria-november-2016/p001#c0008 As coordenadas precisas foram redigidas sob a isenção 1.4(a). O tempo estava claro, visibilidade sem restrições. dow-uap-d55-mission-report-syria-november-2016/p001#c0010

"(2) (S//NF) 18/1312Z: O P-8 perdeu o contato visual do objeto nas imediações de [1.4a] a aproximadamente 40 MN a noroeste de Latakia. O míssil foi observado passando entre o navio russo (RUS) INGUL ARS e 1 embarcação não identificada (U/I)." dow-uap-d55-mission-report-syria-november-2016/p001#c0009

III. O Navio Russo em Quadro

Novembro de 2016 foi um mês agitado no Mediterrâneo Oriental. O grupo-tarefa do porta-aviões Admiral Kuznetsov estava no teatro de operações. Era o primeiro emprego de combate do navio. O grupo atacou alvos na Síria a partir do mar. O INGUL ARS, navio russo de salvamento e resgate naval, fazia parte dessa formação.

As imagens do sensor EO/IR do P-8A, classificadas como SECRET//REL TO USA, NATO, capturaram o objeto em voo sobre a superfície do mar. Nos mesmos quadros, abaixo da trajetória do objeto, o INGUL ARS e uma segunda embarcação não identificada eram visíveis. dow-uap-d55-mission-report-syria-november-2016/p001#c0011 A trajetória do objeto seguia para o sudeste, se afastando dos navios russos, na direção da costa síria.

O comandante da missão registrou a passagem do objeto entre as duas embarcações. O relatório não especula sobre a relação entre elas.

IV. Atividade Padrão, Primeira Ocorrência

O CTG 67.1 registrou sua avaliação oficial após o voo. O comandante da missão classificou o encontro como seguro e o inseriu dentro de um padrão já avaliado pelo grupo-tarefa:

"Comentários do CTG 67.1: O comandante da missão do P-8 caracterizou a interação como segura. Embora esta tenha sido a primeira ocorrência observada de possível atividade de míssil por aeronaves P-8 no Mediterrâneo Oriental, é avaliada como atividade padrão consistente com a atividade avaliada do KCTG." dow-uap-d55-mission-report-syria-november-2016/p001#c0012

"Atividade padrão" e "primeira ocorrência" aparecem na mesma frase. O documento não comenta esse par. Uma primeira ocorrência não pode, em sentido estrito, ser padrão; mas a avaliação trata o comportamento geral já conhecido do grupo-tarefa como contexto suficiente. O vídeo capturado pela tripulação estava acessível por um link que foi redigido na versão divulgada. dow-uap-d55-mission-report-syria-november-2016/p001#c0012

O relatório foi arquivado no USCENTCOM e desclassificado anos depois pelo Major-General Richard A. Hamson, Chefe do Estado-Maior do USCENTCOM. dow-uap-d55-mission-report-syria-november-2016/p001#c0002 Em 27 de março de 2026, foi aprovado para divulgação ao AARO, o All-domain Anomaly Resolution Office. dow-uap-d55-mission-report-syria-november-2016/p001#c0014 O arquivo chegou ao acervo público nove anos após o voo.

O cabeçalho do relatório chamou o contato de objeto não identificado. O corpo o chamou de possível míssil. Os materiais divulgados até agora não trazem uma determinação final que reconcilie os dois termos.